Engarrafamentos, ônibus lotados, pouca ou nenhuma interligação entre meios de transporte, custo elevado e baixo conforto são características bastante conhecidas pelos usuários de transporte público no Brasil. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comprova esta percepção ao mostrar que 70% dos brasileiros qualifica o transporte público como regular, ruim e muito ruim.
A baixa qualidade, aliada à melhora de renda da população, resulta em um crescimento galopante na frota de veículos particulares. Entre 2000 e 2010, a frota de automóveis cresceu 83,5%, passando de 20 milhões para 36,7 milhões. Apesar do transporte público ainda ser o principal meio de mobilidade no Brasil, utilizado por 44,3% da população, o avanço na frota de veículos causa congestionamentos que já afetam em alguma medida 66,6% dos brasileiros.
"O estudo revela que os avanços econômicos desta década foram convergentes com decisões de transporte individuais. O transporte coletivo cresceu bem menos que a aquisição de veículos. No entanto, a população mostra-se interessada em usar o transporte público. Opta pelo transporte individual pela falta de qualidade. No curto prazo, a ênfase no transporte individual pode ser menos onerosa ao poder público. Mas no longo prazo representa um custo elevado, inclusive de qualidade de vida e produtividade", avalia Marcio Pochmann, presidente do Ipea, que defende a elaboração de uma política nacional de transporte coletivo, cujo foco seja trem, metrô e VLT (veículo leve sobre trilhos).
Fonte: Agência O Globo.
Cerca de 45% dos brasileiros usam ônibus para se locomover
O transporte público, principalmente o ônibus, é o meio de locomoção mais usado nas cidades brasileiras, de acordo com o estudo Sistema de Indicadores de Percepção Social: Mobilidade Urbana, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o estudo divulgado nesta segunda-feira (24) na capital paulista, 44% dos brasileiros se locomovem dessa forma.
Em segundo lugar aparece o carro, com 23,8%, seguido por motocicleta com 12,6%. O levantamento feito com 2.770 famílias em todo o país constatou ainda que 12,3% se locomovem a pé.
Fonte: Agência Brasil
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Judiciário anuncia novo Portal da Transparência
O Judiciário anunciou hoje (20) a criação de um portal que contém informações sobre os gastos realizados pelo poder na esfera federal. O Portal da Transparência do Judiciário seguirá os mesmos moldes do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU) que divulga os gastos do Executivo federal. A iniciativa é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Os dados do portal são referentes ao Superior Tribunal de Justiça, à Justiça Federal, à Justiça do Trabalho, à Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e ao Conselho Nacional de Justiça. A consulta pode ser feita em duas modalidades: avançada e por documento. Na modalidade avançada, é possível consultar por período, por tipo de Justiça, pela unidade orçamentária e pelo tipo de despesa, além da possibilidade de fazer a consulta pelo favorecido.
O texto que apresenta o site afirma que o portal é um “instrumento de transparência da gestão fiscal” que irá disponibilizar à sociedade informações referentes à execução orçamentária e financeira do Poder Judiciário.
Ainda segundo a apresentação, o acesso público de dados detalhados será atualizado diariamente com os documentos de execução orçamentária e financeira emitidos no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) no dia anterior ao da consulta.
Na área ‘Detalhamento de Receitas’, o cidadão poderá acompanhar as receitas previstas e realizadas pelo Poder Judiciário no decorrer do exercício. A consulta permite a obtenção de informações detalhadas por natureza da receita e por órgão.
Fonte: Agência Brasil.
Os dados do portal são referentes ao Superior Tribunal de Justiça, à Justiça Federal, à Justiça do Trabalho, à Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e ao Conselho Nacional de Justiça. A consulta pode ser feita em duas modalidades: avançada e por documento. Na modalidade avançada, é possível consultar por período, por tipo de Justiça, pela unidade orçamentária e pelo tipo de despesa, além da possibilidade de fazer a consulta pelo favorecido.
O texto que apresenta o site afirma que o portal é um “instrumento de transparência da gestão fiscal” que irá disponibilizar à sociedade informações referentes à execução orçamentária e financeira do Poder Judiciário.
Ainda segundo a apresentação, o acesso público de dados detalhados será atualizado diariamente com os documentos de execução orçamentária e financeira emitidos no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) no dia anterior ao da consulta.
Na área ‘Detalhamento de Receitas’, o cidadão poderá acompanhar as receitas previstas e realizadas pelo Poder Judiciário no decorrer do exercício. A consulta permite a obtenção de informações detalhadas por natureza da receita e por órgão.
Fonte: Agência Brasil.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
As lições do caso Ronaldinho ao mercado corporativo

Especialistas apontam estratégias e cuidados para evitar prejuízos e garantir êxito em negociações corporativas
O recente episódio envolvendo o Grêmio e a tentativa frustrada de trazer de volta o jogador Ronaldinho é um bom exemplo de tudo que não deve ser feito numa negociação envolvendo empresas. Quando se trata de forjar fusões, aquisições ou outros modelos de investimentos, como instalação de empreendimentos nos estados, a primeira regra é o sigilo total. Depois, à medida que avançam as tratativas e as chances de êxito aumentam, é importante o estabelecimento de cláusulas de penalidades ante recuos não justificados.
“Muitas negociações fracassam por não terem estes passos bem definidos”, adverte Robertson Emerenciano, sócio do escritório Emerenciano, Baggio e Associados, especializado em intermediações. O vice-presidente de Futebol do Grêmio, Antônio Vicente Martins, que é advogado, apressa-se em diferenciar negócios esportivos do corporativo. “É muito difícil manter sigilo. Os jogadores são pessoas públicas, as empresas não”, alega Martins, que descartou a hipótese de exclusividade, no caso Ronaldinho, já que o jogador ainda mantinha contrato com o Milan. Ao mesmo tempo, o dirigente critica a conduta do irmão e empresário do jogador, Assis Moreira: “Negociador tem de ter objetivo; quando alcança, está tudo resolvido. O Assis não mostrou o que queria.”
Ter uma meta clara e defini-la na largada de uma conversação é imprescindível quando uma empresa busca comprador, parceiro ou mesmo contratar novos projetos. “Quando os objetivos não são claros, o subjetivismo impera sobre a racionalidade, gerando frustração”, alerta o advogado e coordenador do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) no Estado, Robert Juenemann. Já Luis Motta, sócio da consultoria KPMG no Brasil, um botafoguense da gema, provoca: “Será que todo este procedimento do Assis não era intencional? A quebra de sigilo pode ser parte do jogo”, acrescenta o consultor.
A explosão de fusões e aquisições no País não dá outra escolha hoje às empresas: adotar procedimentos que regulem todos os estágios de uma negociação. Levantamento da KPMG registra o recorde de 707 negócios na área em 2010. Juenemann lista desde limites a serem estabelecidos sobre prazos para a tratativa, valores que cada um está disposto a pagar ou a receber e controle sobre as informações que são repassadas. “Também é importante o conhecimento prévio sobre os interessados, sua ética e moralidade”, elenca Juenemann. “Há pessoas que só têm curiosidade, não querem acertar um negócio.”
Emerenciano divide em três as fases de um negócio: antes, durante e depois do acordo. Na etapa que antecede a troca de informações, é bom colocar no papel as metas da empresa. No andamento, um primeiro documento deve prever sigilo e os limites de dados a serem intercambiados. “Só libere o que é relevante a cada avanço da transação”, previne Emerenciano. Se o namoro ganhar aura de maior interesse, os especialistas recomendam assinar um termo ou carta de intenções, que incluirá exclusividade, lista e nomes de quem acessará os dados e mais prazos para bater o martelo.
Juenemann orienta que todo tipo de transferência de documento, resultado de reunião ou mesmo visitas, seja documentado. Já atitudes que possam contrariar regras do acordo devem ser notificadas. “É prova para eventual processo futuro”. No mundo das negociações empresariais, a tecnologia também ganhou lugar. Advogados e consultores inseriram rotinas com uso de dataroom, pelo qual elimina-se encontros e telefonemas desnecessários. No ambiente virtual, armazenam-se informações, franqueadas a grupos restritos. “O custo de todo o processo pode cair à metade”, dimensiona Motta, da KPMG. “Movimentos que despertam a atenção estão eliminados”, lembra Motta.
Não se pode eliminar o fator conflito mesmo durante ou após uma transação. Com adesão ainda acanhada no Estado, segundo entidades que acompanham empresas, as câmaras de arbitragem, previstas desde 1996, ajudam a agilizar a solução de demandas. O coordenador da Câmara do Conselho Regional de Administração (CRA), Adão Indrusiak da Rosa, estima que mais de 800 contratos elegeram este tipo de tribunal para resolver impasses. “Na Justiça comum, pode levar anos, na câmara o teto é 180 dias.”
Sigilo absoluto e coerência devem marcar as relações
O vice-presidente de Futebol do Grêmio, Antônio Vicente Martins, cita que até a última terça-feira, 11, um dia antes da festa de Ronaldinho com a torcida do Flamengo, no Rio, recebeu torpedo do irmão do jogador, Assis Moreira, sondando sobre uma eventual retomada das negociações. Recordando que foram muitos dias de negociação, desde as primeiras sondagens, Martins reforça que o Grêmio redigiu sete versões de contrato. E desabafa: “Não é pessoal, mas não faço mais negócio com esse cara (Assis)”.
“O mais difícil é aceitar que Assis vendeu a mesma casa (o jogador) para três pessoas diferentes (Grêmio, Flamengo e Palmeiras)”, comparou o dirigente. Com o primeiro, as conversas evoluíam bem até que vazou a informação em 17 de dezembro, motivo que teria alertado o Milan, clube de Ronaldinho na Itália, e gerado dificuldades extras. Na virada do ano, Assis teria firmado acordo com o Palmeiras. Depois surgiu o Flamengo.
Especialistas apontam o sigilo como um dos trunfos que consagram ou podem levar a perder uma negociação. O advogado e ex-gerente de Relações Governamentais e Públicas da General Motors em Gravataí Marco Antônio Kraemer aponta que o atributo foi decisivo no acordo que atraiu a montadora em 1997, no governo Antonio Britto. “A conversa com o setor público deve ser pautada pelos mesmos critérios de uma transação privada”. Outra qualidade em uma operação como essa é a coerência, diz Kraemer. Mesmo na etapa de revisão de cláusulas do contrato já no governo Olívio Dutra, o ex-gerente ressalta a atitude e manutenção da pretensão da montadora.
O sócio do escritório Guerra&Piva, Luís Carlos Piva, destaca que o aquecimento da economia amplia o interesse local, turbina mais transações e eleva riscos de problemas. “Na fase da verificação de dados, chamada due diligence, o segredo tem de ser absoluto”, caracteriza. Sobre o episódio Ronaldinho, o advogado qualifica “como muito feio” os três níveis de conversas: Grêmio, Flamengo e Palmeiras. Para Piva, com 40 anos no mercado de tratativas e responsável por assegurar a instalação da Ventos do Sul, em Osório, há uma regra básica em qualquer negociação: conheça bem quem está do outro lado.
Fonte: Jornal do Comércio.com
Funai interdita área no Pará que pode abrigar índios isolados
A Fundação Nacional do Índio (Funai) vai restringir, por dois anos, a entrada de pessoas na Terra Indígena Ituna/Itatá, no Pará. O objetivo é fazer estudos sobre a presença de grupos indígenas isolados entre os rios Xingu e Bacajá. Apenas funcionários do órgão estão autorizados a entrar na área.
A portaria foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (12). Funcionários da Funai vão fazer estudos preliminares, com base em expedições de rotina e relatos de indígenas e moradores das proximidades, que indicam a presença de índios isolados na região. De acordo com o órgão, é necessário fazer uma interdição administrativa da área para garantir a segurança dos funcionários e proteger esses grupos, que não mantém contato com a chamada civilização.
Há 67 referências de índios isolados em todo o Brasil. Na região paraense interditada, além dos índios não contatados, vivem comunidades Araweté, Apiterewa, Asuriní e Xikrin. Atualmente, na Funai, 12 Frentes de Proteção Etnoambiental trabalham exclusivamente com índios isolados e recém contatados em todo o país.
Essas frentes atuam em regiões onde existem referências de índios isolados, desenvolvem atividades de pesquisa de campo para conhecimento das áreas de ocupação e faz levantamentos etno-históricos para dimensionar e identificar o território desses povos indígenas. Ainda há programas de proteção, vigilância e fiscalização da terra indígena, além de ações preventivas nas áreas de saúde e educação.
Fonte: Agência Brasil.
A portaria foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (12). Funcionários da Funai vão fazer estudos preliminares, com base em expedições de rotina e relatos de indígenas e moradores das proximidades, que indicam a presença de índios isolados na região. De acordo com o órgão, é necessário fazer uma interdição administrativa da área para garantir a segurança dos funcionários e proteger esses grupos, que não mantém contato com a chamada civilização.
Há 67 referências de índios isolados em todo o Brasil. Na região paraense interditada, além dos índios não contatados, vivem comunidades Araweté, Apiterewa, Asuriní e Xikrin. Atualmente, na Funai, 12 Frentes de Proteção Etnoambiental trabalham exclusivamente com índios isolados e recém contatados em todo o país.
Essas frentes atuam em regiões onde existem referências de índios isolados, desenvolvem atividades de pesquisa de campo para conhecimento das áreas de ocupação e faz levantamentos etno-históricos para dimensionar e identificar o território desses povos indígenas. Ainda há programas de proteção, vigilância e fiscalização da terra indígena, além de ações preventivas nas áreas de saúde e educação.
Fonte: Agência Brasil.
De novo nos trilhos: transporte ferroviário avança no RS
Cresce em média 10% ao ano o volume de cargas que cruza o Estado

Aos solavancos e vagaroso como o arranque das antigas locomotivas a vapor, o transporte ferroviário no Rio Grande do Sul, aos poucos, encarrilha. Os indícios surgem com o crescimento médio de 10% ao ano no volume de cargas que cruza o Estado sobre trilhos, a proximidade da reativação de trechos e novos projetos de revitalização do modal.
Aos solavancos e vagaroso como o arranque das antigas locomotivas a vapor, o transporte ferroviário no Rio Grande do Sul, aos poucos, encarrilha. Os indícios surgem com o crescimento médio de 10% ao ano no volume de cargas que cruza o Estado sobre trilhos, a proximidade da reativação de trechos e novos projetos de revitalização do modal.
Para o trem voltar a ser sinônimo de progresso, a boa nova, mesmo que ainda distante, pode ser a construção de um novo trecho da Ferrovia Norte-Sul que partiria de Panorama (SP) e chegaria ao Porto de Rio Grande. Incluído no PAC 2 como estudo, o texto passou pela Câmara dos Deputados no ano passado e agora está na Comissão de Infraestrutura do Senado.
Na Serra, está próximo do fim a análise de viabilidade do transporte de passageiros entre Bento Gonçalves e Caxias do Sul, como opção às rodovias. Para os nostálgicos, os trens de turismo planejados por diversos municípios são a esperança de reviver a época áurea.
- O Estado está saindo da letargia e voltando a ver que a ferrovia tem papel importante - diz o engenheiro Daniel Lena Souto, especialista em transportes e membro do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
No curto prazo, por pressão do Ministério Público Federal (MPF) e do governo novos trechos devem começar a ser operados pela América Latina Logística (ALL), empresa que arrematou a malha sul na privatização das ferrovias, no final de 1996. Dia 17 de dezembro, em reunião do Mercosul, no Paraná, o governo brasileiro anunciou a reativação do ramal entre Livramento e Cacequi, inoperante por alegada falta de viabilidade econômica. A reativação permitirá a integração ferroviária com o Uruguai.
- Estamos licitando a empresa que fará a recuperação da linha, e o trecho Santana do Livramento-Cacequi deve operar em 2012 - diz o gerente da Unidade de Produção da ALL no Estado, Roberto Fischer Machado.
Como a concessão previa que a ALL teria de operar toda a malha que recebeu, o MPF trava uma batalha jurídica pelo cumprimento dos contratos. À frente da luta, está o procurador federal Osmar Veronese, de Santo Ângelo, que desde 2003 se esforça para a ALL ampliar as operações e, a partir do município, fazer o transporte ferroviário chegar também a Santa Rosa e São Luiz Gonzaga. Segundo Fischer, o trem chegará a São Luiz Gonzaga em 2012 e, em até três anos, Santiago. Ainda em dezembro, a Justiça Federal determinou que a ALL reative o trecho entre Getúlio Vargas e Marcelino Ramos.
- A ALL recebeu 3,2 mil quilômetros no Estado e cerca de mil quilômetros estão desativados - sustenta Veronese.
Mesmo crescendo, a fatia do modal nas cargas transportadas no Estado ainda é modesta. Os trens têm participação de 9%, ante 25% no Brasil, percentual baixo se confrontado com outros países de extensão continental. Apesar do avanço dos produtos industrializados, os granéis, puxados pela soja, são o carro-chefe da ALL. Ano passado, 68% dos grãos exportados por Rio Grande chegaram via ferrovia.
MEIOS DE TRANSPORTE
> Rodovia: até 400 quilômetros
> Ferrovia: de 400 quilômetros a 1,5 mil quilômetros
> Hidrovia: de 1,5 mil quilômetros a 3 mil quilômetros
Competitividade comparada
> Um vagão graneleiro leva 100 toneladas de carga
> São necessários 3,57 caminhões (de 28 toneladas de carga) para se igualar a um vagão
> Um trem composto por cem vagões vale por 357 caminhões
Fonte: Log-In Logística Intermodal
Fonte: Zero Hora.

Aos solavancos e vagaroso como o arranque das antigas locomotivas a vapor, o transporte ferroviário no Rio Grande do Sul, aos poucos, encarrilha. Os indícios surgem com o crescimento médio de 10% ao ano no volume de cargas que cruza o Estado sobre trilhos, a proximidade da reativação de trechos e novos projetos de revitalização do modal.
Aos solavancos e vagaroso como o arranque das antigas locomotivas a vapor, o transporte ferroviário no Rio Grande do Sul, aos poucos, encarrilha. Os indícios surgem com o crescimento médio de 10% ao ano no volume de cargas que cruza o Estado sobre trilhos, a proximidade da reativação de trechos e novos projetos de revitalização do modal.
Para o trem voltar a ser sinônimo de progresso, a boa nova, mesmo que ainda distante, pode ser a construção de um novo trecho da Ferrovia Norte-Sul que partiria de Panorama (SP) e chegaria ao Porto de Rio Grande. Incluído no PAC 2 como estudo, o texto passou pela Câmara dos Deputados no ano passado e agora está na Comissão de Infraestrutura do Senado.
Na Serra, está próximo do fim a análise de viabilidade do transporte de passageiros entre Bento Gonçalves e Caxias do Sul, como opção às rodovias. Para os nostálgicos, os trens de turismo planejados por diversos municípios são a esperança de reviver a época áurea.
- O Estado está saindo da letargia e voltando a ver que a ferrovia tem papel importante - diz o engenheiro Daniel Lena Souto, especialista em transportes e membro do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
No curto prazo, por pressão do Ministério Público Federal (MPF) e do governo novos trechos devem começar a ser operados pela América Latina Logística (ALL), empresa que arrematou a malha sul na privatização das ferrovias, no final de 1996. Dia 17 de dezembro, em reunião do Mercosul, no Paraná, o governo brasileiro anunciou a reativação do ramal entre Livramento e Cacequi, inoperante por alegada falta de viabilidade econômica. A reativação permitirá a integração ferroviária com o Uruguai.
- Estamos licitando a empresa que fará a recuperação da linha, e o trecho Santana do Livramento-Cacequi deve operar em 2012 - diz o gerente da Unidade de Produção da ALL no Estado, Roberto Fischer Machado.
Como a concessão previa que a ALL teria de operar toda a malha que recebeu, o MPF trava uma batalha jurídica pelo cumprimento dos contratos. À frente da luta, está o procurador federal Osmar Veronese, de Santo Ângelo, que desde 2003 se esforça para a ALL ampliar as operações e, a partir do município, fazer o transporte ferroviário chegar também a Santa Rosa e São Luiz Gonzaga. Segundo Fischer, o trem chegará a São Luiz Gonzaga em 2012 e, em até três anos, Santiago. Ainda em dezembro, a Justiça Federal determinou que a ALL reative o trecho entre Getúlio Vargas e Marcelino Ramos.
- A ALL recebeu 3,2 mil quilômetros no Estado e cerca de mil quilômetros estão desativados - sustenta Veronese.
Mesmo crescendo, a fatia do modal nas cargas transportadas no Estado ainda é modesta. Os trens têm participação de 9%, ante 25% no Brasil, percentual baixo se confrontado com outros países de extensão continental. Apesar do avanço dos produtos industrializados, os granéis, puxados pela soja, são o carro-chefe da ALL. Ano passado, 68% dos grãos exportados por Rio Grande chegaram via ferrovia.
MEIOS DE TRANSPORTE
> Rodovia: até 400 quilômetros
> Ferrovia: de 400 quilômetros a 1,5 mil quilômetros
> Hidrovia: de 1,5 mil quilômetros a 3 mil quilômetros
Competitividade comparada
> Um vagão graneleiro leva 100 toneladas de carga
> São necessários 3,57 caminhões (de 28 toneladas de carga) para se igualar a um vagão
> Um trem composto por cem vagões vale por 357 caminhões
Fonte: Log-In Logística Intermodal
Fonte: Zero Hora.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Novo valor do salário mínimo será de R$ 545, anuncia Mantega
O novo valor do salário mínimo será de R$ 545, disse há pouco o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois de participar da primeira reunião ministerial do governo da presidenta Dilma Rousseff. O aumento terá impacto de R$ 1,4 bilhão nas contas públicas este ano.
Inicialmente, estava previsto que o salário mínimo seria de R$ 540. Essa proposta chegou a ser aprovado no Orçamento da União deste ano.
O governo fez a mudança porque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou 2010 maior que o previsto. A fórmula de reajuste do mínimo, acertada com as centrais sindicais, estabelece a reposição pelo INPC do ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.
Segundo o ministro, o valor ficaria em R$ 543, mas o governo arredondou para R$ 545 para facilitar o saque nos caixas eletrônicos. O novo mínimo valerá a partir de fevereiro, mas só será pago em março.
O ministro anunciou ainda que, nos próximos dias, o governo enviará ao Congresso uma medida provisória para transformar em lei a fórmula de reajuste do salário minimo acertada com as centrais sindicais. Essa política vai vigorar nos próximos quatro anos.
Fonte: Agência Brasil.
Inicialmente, estava previsto que o salário mínimo seria de R$ 540. Essa proposta chegou a ser aprovado no Orçamento da União deste ano.
O governo fez a mudança porque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou 2010 maior que o previsto. A fórmula de reajuste do mínimo, acertada com as centrais sindicais, estabelece a reposição pelo INPC do ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.
Segundo o ministro, o valor ficaria em R$ 543, mas o governo arredondou para R$ 545 para facilitar o saque nos caixas eletrônicos. O novo mínimo valerá a partir de fevereiro, mas só será pago em março.
O ministro anunciou ainda que, nos próximos dias, o governo enviará ao Congresso uma medida provisória para transformar em lei a fórmula de reajuste do salário minimo acertada com as centrais sindicais. Essa política vai vigorar nos próximos quatro anos.
Fonte: Agência Brasil.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
O que fazer quando os negócios estão no vermelho
O ambiente econômico atual do Brasil é favorável para a abertura de empresas ou inspira mais cautela do que euforia?
O ambiente econômico é, sim, favorável à abertura e ampliação de negócios. As taxas atuais de juros – apesar de indecentes quando comparadas aos padrões internacionais – está baixa.
Um grande contingente de pessoas foi incorporado ao mercado, ampliando consideravelmente a quantidade de consumidores, e a população que já tinha boas condições econômicas aumentou o seu poder de compra.
O momento, no entanto, não comporta euforia, mas sim sobriedade. Todos os investimentos, sejam eles na constituição ou na ampliação de negócios, devem ter o seu retorno bem dimensionado.
Quais os principais cuidados que as novas empresas (principalmente micro e pequenas) devem ter para não enfrentar danos financeiros irreversíveis?
A regra de ouro, especialmente para as pequenas e médias empresas, é preservar o seu capital de giro. O empresário deve entender que o fluxo de caixa, ao longo do mês, sofre variações, muitas vezes drásticas, e a preservação da capacidade de honrar os compromissos é a meta principal.
A pontualidade evita a imposição de multas, muitas vezes onerosas, bem como preserva o bom nome.
Outra providência fundamental é dimensionar bem os investimentos, pois senão o empresário não obterá o retorno esperado, comprometendo assim o capital de giro.
Como uma empresa deve elaborar um plano de recuperação, caso se encontre em vias de falência? Uma consultoria é interessante nesses casos?
Se uma empresa apresentar dificuldades, deve implementar rapidamente um plano de ajuste que a possibilite sair da crise.
Poderia discorrer ao longo de várias páginas sem, contudo, esgotar o assunto, pois a elaboração de um plano consequente de reestruturação possui dezenas, ou até mesmo centenas de variáveis.
A quem realmente se interessar pelo tema recomendo a leitura de um livro que escrevi em 2009, o Manual de Gestão de Crise Financeira (www.gestaodecrisefinanceira.com.br).
Em linhas gerais, podemos dizer que é necessário entender a operação e tomar as ações necessárias para que ela possa ser superavitária (seus compromissos correntes devem ser menores do que os seus recebimentos).
Essa sobra de caixa deve ser utilizada para pagar as dívidas. Vamos a um exemplo:
Uma empresa fatura 10 mil reais e acumulou, por conta de investimentos que não tiveram a maturação esperada, uma dívida de 30 mil reais. Seu resultado líquido é de 500 reais.
Nesse caso o empresário deve procurar seus credores, parte deles normalmente são bancos, e propor o parcelamento de dívida em 60 (sessenta) meses.
O exemplo acima é simplista, pois considera que a empresa tem resultado – o que raramente é verdadeiro, daí a necessidade de reduzir custos – e não leva em conta o serviço da dívida, ou seja, os seus juros.
O empresário raramente está apto a promover sozinho o ajuste na sua empresa, quer pelo seu comprometimento emocional ou pela ausência de conhecimento técnico nos âmbitos financeiro e administrativo.
Recomenda-se, sim, que no caso de uma dificuldade aguda o empresário procure auxílio.
Quais os cuidados que o empresário deve ter ao escolher um consultor para tirar a empresa do vermelho? Uma consultoria inadequada pode ser a última pá de terra?
Vamos começar pelo fim. Uma escolha infeliz pode, sim, fulminar a esperança de recuperação de uma empresa. Normalmente, gerentes de banco desempregados e gestores financeiros inexperientes chamam para si a saga de reestruturadores.
Os cuidados para escolher o profissional são quase os mesmos que adotamos para selecionar um funcionário graduado: pesquisar sua vida pregressa; os desafios profissionais que enfrentou e, principalmente, ter atenção com o seu discurso, já que raramente um aventureiro tem uma linha de argumentação coerente.
Recomenda-se, também, que a remuneração do consultor seja negociada ad exitum. Ou seja, se a empresa se recuperar, o profissional recebe. Caso contrário, não.
Fonte: Administradores.com
O ambiente econômico é, sim, favorável à abertura e ampliação de negócios. As taxas atuais de juros – apesar de indecentes quando comparadas aos padrões internacionais – está baixa.
Um grande contingente de pessoas foi incorporado ao mercado, ampliando consideravelmente a quantidade de consumidores, e a população que já tinha boas condições econômicas aumentou o seu poder de compra.
O momento, no entanto, não comporta euforia, mas sim sobriedade. Todos os investimentos, sejam eles na constituição ou na ampliação de negócios, devem ter o seu retorno bem dimensionado.
Quais os principais cuidados que as novas empresas (principalmente micro e pequenas) devem ter para não enfrentar danos financeiros irreversíveis?
A regra de ouro, especialmente para as pequenas e médias empresas, é preservar o seu capital de giro. O empresário deve entender que o fluxo de caixa, ao longo do mês, sofre variações, muitas vezes drásticas, e a preservação da capacidade de honrar os compromissos é a meta principal.
A pontualidade evita a imposição de multas, muitas vezes onerosas, bem como preserva o bom nome.
Outra providência fundamental é dimensionar bem os investimentos, pois senão o empresário não obterá o retorno esperado, comprometendo assim o capital de giro.
Como uma empresa deve elaborar um plano de recuperação, caso se encontre em vias de falência? Uma consultoria é interessante nesses casos?
Se uma empresa apresentar dificuldades, deve implementar rapidamente um plano de ajuste que a possibilite sair da crise.
Poderia discorrer ao longo de várias páginas sem, contudo, esgotar o assunto, pois a elaboração de um plano consequente de reestruturação possui dezenas, ou até mesmo centenas de variáveis.
A quem realmente se interessar pelo tema recomendo a leitura de um livro que escrevi em 2009, o Manual de Gestão de Crise Financeira (www.gestaodecrisefinanceira.com.br).
Em linhas gerais, podemos dizer que é necessário entender a operação e tomar as ações necessárias para que ela possa ser superavitária (seus compromissos correntes devem ser menores do que os seus recebimentos).
Essa sobra de caixa deve ser utilizada para pagar as dívidas. Vamos a um exemplo:
Uma empresa fatura 10 mil reais e acumulou, por conta de investimentos que não tiveram a maturação esperada, uma dívida de 30 mil reais. Seu resultado líquido é de 500 reais.
Nesse caso o empresário deve procurar seus credores, parte deles normalmente são bancos, e propor o parcelamento de dívida em 60 (sessenta) meses.
O exemplo acima é simplista, pois considera que a empresa tem resultado – o que raramente é verdadeiro, daí a necessidade de reduzir custos – e não leva em conta o serviço da dívida, ou seja, os seus juros.
O empresário raramente está apto a promover sozinho o ajuste na sua empresa, quer pelo seu comprometimento emocional ou pela ausência de conhecimento técnico nos âmbitos financeiro e administrativo.
Recomenda-se, sim, que no caso de uma dificuldade aguda o empresário procure auxílio.
Quais os cuidados que o empresário deve ter ao escolher um consultor para tirar a empresa do vermelho? Uma consultoria inadequada pode ser a última pá de terra?
Vamos começar pelo fim. Uma escolha infeliz pode, sim, fulminar a esperança de recuperação de uma empresa. Normalmente, gerentes de banco desempregados e gestores financeiros inexperientes chamam para si a saga de reestruturadores.
Os cuidados para escolher o profissional são quase os mesmos que adotamos para selecionar um funcionário graduado: pesquisar sua vida pregressa; os desafios profissionais que enfrentou e, principalmente, ter atenção com o seu discurso, já que raramente um aventureiro tem uma linha de argumentação coerente.
Recomenda-se, também, que a remuneração do consultor seja negociada ad exitum. Ou seja, se a empresa se recuperar, o profissional recebe. Caso contrário, não.
Fonte: Administradores.com
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